No início da tarde, o presidente discursou aos apoiadores que o acompanhavam. Pressionado após o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) revelar durante depoimento na CPI da Pandemia que Bolsonaro citou Ricardo Barros (PP-PR) ao saber do caso Covaxin, o presidente afirmou que “temos uma CPI de sete pilantras que não querem investigar quem recebeu o dinheiro, só quem mandou o dinheiro”.
O “sete”, no caso, é uma alusão de Bolsonaro ao grupo de senadores de oposição e independentes que direciona os trabalhos da comissão. “Infelizmente o STF decidiu pela CPI. No tapetão não vão levar”, completou o presidente.
Após ouvir na sessão de sexta-feira os irmãos Miranda — além do deputado, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda –, o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a CPI vai votar na próxima semana a possibilidade de notificar formalmente o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suspeita do crime de prevaricação por parte de Bolsonaro.
Recentemente, o presidente fez outras “motociatas” em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Neste sábado, mais uma vez sem usar máscara no contato com os apoiadores e promovendo aglomerações, Bolsonaro voltou a repetir o discurso adotado em outras ocasiões, afirmando que “só Deus” o tira de Brasília, pedindo voto auditável e que foi contrário às medidas restritivas adotadas para conter a pandemia.

O passeio saiu de Chapecó próximo das 9h20 e chegou na cidade vizinha de Xanxerê por volta das 10h40, onde o presidente participou da inauguração de uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF). Na ocasião, muitos apoiadores se aglomeravam no local. Ele retornou à Chapecó por volta das 11h.
“Temos eleição ano que vem e se Deus quiser com o voto auditável. Tiraram um vagabundo da cadeia e o tornaram elegível. O Brasil está mudando, a economia mostra isso. Eu não tirei o emprego de ninguém porque não fechei nada”, disse Bolsonaro em Chapecó, de onde retorna para Brasília.

Vídeos com trechos do passeio foram publicados na página de Bolsonaro no Facebook. Assim como nos eventos anteriores, o presidente não usou máscara de proteção durante o passeio e causou aglomerações. Ele levou o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), também sem máscara, na garupa.
Em Santa Catarina, o item é obrigatório e passível de multa no valor de R$ 500 para quem não a usar em espaços fechados. A motociata em Chapecó foi anunciada pela prefeitura da cidade no dia 15, depois da confirmação da visita de Bolsonaro ao município.