Cachorra com paralisia “descartada” na rua é salva por faxineira

A faxineira Suelen Bernardes Lopes foi pega de surpresa quando viu uma cadela ser abandonada em uma rua de Jardinópolis (SP) na tarde de segunda-feira (19). Ao ver que a cadela não conseguia se movimentar, por não ter os movimentos das patas traseiras, decidiu resgatá-la. “Na rua, ela não ia ter segurança. Pensei no bem-estar dela. Eu não ia nem dormir, sabendo que ela estaria se rastejando na rua, debaixo de chuva, com fome e frio”, diz Suelen.

Cadela deficiente é resgatada por faxineira após ser abandonada em Jardinópolis (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

Cadela deficiente é resgatada por faxineira após ser abandonada em Jardinópolis (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

Abandono registrado por câmeras

Câmeras de segurança no bairro São Marcos registraram o momento em que um carro estacionou, por volta das 16h50. O passageiro abriu a porta, colocou o animal em um saco na rua, e foi embora no veículo.

Suellen conversava com a patroa na garagem, percebeu o volume na sarjeta, foi até a esquina verificar o que era e descobriu a cachorrinha paralítica.

Ela pediu a ajuda da chefe, que telefonou para uma clínica e chamou uma médica veterinária para examinar a cadela. Após o atendimento, a faxineira decidiu levar o animal para a casa dela, antes mesmo de pensar se teria condições de mantê-la.

“Ela foi medicada e nós ficamos sem saber o que fazer, aí eu peguei e trouxe ela embora, porque eu não ia deixar ela na rua. Ela é indefesa”, diz. “Isso não se faz com cachorro nenhum, ainda mais na situação dela, que ia morrer na rua.”

Faxineira resgata cadela deficiente que havia sido abandonada em Jardinópolis (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

Faxineira resgata cadela deficiente que havia sido abandonada em Jardinópolis (SP) — Foto: José Augusto Júnior/EPTV

Busca por ajuda

Suelen quer oferecer um lar temporário à cadela, batizada de Neguinha. Como trabalha o dia todo fora de casa, não pode adotá-la por não poder oferecer os cuidados e dar a atenção necessária a ela.

“Se tivesse condições, eu ficava com ela. Mas não é para qualquer pessoa que eu vou entregar. A pessoa tem que se responsabilizar, e eu quero acompanhar. Uma vez por semana, vou ir ver se ela está sendo bem cuidada”, diz.

A faxineira entrou em contato com várias ONGs, mas ainda não teve um retorno sobre o pedido de ajuda para encontrar uma nova família.

Apesar do flagrante feito pelas câmeras, Suellen não conseguiu registrar o boletim de ocorrência porque as imagens não permitem visualizar com clareza a placa do veículo.

Desde setembro deste ano, a lei passou a considerar o abandono de animais como crime de maus-tratos. A pena para quem for condenado aumentou de dois anos para cinco anos de cadeia.

Fonte: Reprodução G1